domingo, 18 de março de 2012

Trilhando a História em Lima


Pirâmide de Huallamarca em Lima no Peru
A história da cidade de Lima inicia-se com sua fundação espanhola em 1535. O território formado pelos vales dos rios Rímac, Chillón e Lurín estava ocupado por assentamentos pré-incas. A cultura Maranga e a cultura Lima foram as que se estabeleceram e forjaram uma identidade nestes territórios. Durante essas épocas se construíram os santuários de Lati (atual Puruchuco) e Pachacámac. Estas culturas foram conquistadas pela Império Wari durante o apogeu de sua expansão imperial. Foi durante esta época que construiu-se o centro cerimonial de Cajamarquilla. Junto à declinação da importância Wari, as culturas locais voltaram a adquirir autonomia, destacando a cultura Chancay. Posteriormente, no século XV, estes territórios foram incorporados no Império Inca.
Desta época podemos encontrar grande variedade de huacas ao largo de toda a cidade, algumas das quais se encontram em investigação. As mais importantes ou conhecidas são as de Huallamarca, Pucllana, Mateo Salado e Pachacamac.

A Pirâmide de Huallamarca

No centro do moderno bairro de San Isidro está localizado o pequeno e importante complexo arqueológico. Tudo indica que o lugar foi um centro cerimonial da época pré-inca, usado somente por uma elite sacerdotal.
Conhecida também como Pan de Azúcar, a pirâmide de tijolos feitos a mão (Adobe) conta com uma impressionante rampa de acesso muito bem preservada que permite ao visitante chagar até seu topo.
As tumbas da Huaca Huallamarca compreendem um período que se estende do século 3 ao 15, revelando como os costumes funerários foram se transformando ao longo do tempo. Antes da chegada dos espanhóis estes templos já se encontravam abandonados, sendo utilizados como cemitérios para as culturas que sobrepujaram a cultura limenha. Boa parte do que hoje são as pirâmides símbolos de lima estavam cobertas por toneladas de areis que são carregadas pelos ventos do pacifico que sopram em direção as províncias.
Supostamente outras pirâmides podem ter existido ao longo território do que hoje é a cidade de Lima, mas como o avanço do processo de urbanização, muitas Huacas se perderam ou foram destruídas. A Huaca Huallamarca é um exemplo de sobrevivência diante do mundo moderno que a cerca.

Aleks Palitot
Professor e Historiador

domingo, 11 de março de 2012

LIMA, A cidade Colonial

Aleks Palitot na gravações em Lima na Praça Maior - Peru
O Trilhando a História dessa semana vai levar a todos,  a um passeio inesquecível na grande capital do Peru, a cidade de Lima. Nessa nova etapa do Trilhando a História , foram gravados nove programas em Lima e Cusco no Peru; e em La Paz, Deserto de Salar e Copacabana na Bolívia.
Mas nessa terça-feira na Rede TV Rondônia,todos serão levados a viajar pela grande Lima conhecendo assim seu valor histórico e cultural. Batizada como a cidade dos reis, Lima foi fundada pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro no dia 18 de janeiro de 1535, sobre o antigo centro administrativo dominado pelos Incas e liderado pelo curaca(prefeito) Taulichusco.
Sua herança indígena pertencia no passado aos vocabolos Límac o Rímac, que significa “aquele que fala”, de origem aiamara e quéchua respectivamente. Erguida na costa central do Peru, a zona foi escolhida por Pizarro que levou em conta o clima temperado e sua posição estratégica com relação ao porto de Callao. Durante o período colonial na América, foi o centro do poder real espanhol na América do Sul.

Praça Maior

É o principal espaço público urbano de Lima e também o mais antigo, já que foi construído sobre um antigo sítio histórico pré-hispânicos. Em 18 de janeiro de 1535, em um acampamento militar, Francisco Pizarro proclamou a fundação da cidade dos Reis. Do século XVI ao XVIII, a praça simbolizou o centro do poder político, municipal e religioso nesta parte do Hemisfério Sul, e durante a República manteve esse papel centralizador

Catedral de Lima

Logo após a fundação da cidade de Lima, o passo seguinte foi a construção da futura Catedral. Foi escolhido o local de um antigo tempo pré-inca do Puma para ergue-la, demonstrando o triunfo da Igreja sobre as antigas religiões do lugar. A catedral original inaugurada em 1540 era muito modesta, porém durante o bispado de Jerônimo de Loayza foi modificado o projeto original dando maior imponência e magnitude a edificação.
O Trilhando a História vai ao ar todas as terças no canal 17 na Rede TV Rondônia no programa Fala Rondônia ao meio dia em rede estadual e em horários alternativos nos canais 20 e 25.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SOBRE O DESCASO PARA COM O PATRIMÔNIO HISTÓRICO, CULTURAL E ARQUEOLÓGICO EM RONDÔNIA E EM PORTO VELHO.

Tenho resistido muito a começar a escrever mais solidamente sobre o tema do descaso e falta de cuidados com o nosso patrim...ônio histórico, cultural e arqueológico em Rondônia em geral e em Porto Velho, cidade onde resido, em específico. Assumo o erro. Mas antes tarde do que nunca, após o penitenciamento é hora de arregaçar a manga e partir para o trabalho.
Nesses tempos de tantas transformações em nosso estado de RO e em sua capital, Porto Velho, fico estarrecido diante da enormidade do descaso para com o patrimônio histórico, cultural e arqueológico que possuímos e que está sendo sistematicamente destruído sob o olhar indiferente ou mesmo conivente dos poderes estabelecidos para preservá-los e protegê-los. Pior, a sociedade pouco tem se manifestado. Assistimos há poucos dias a destruição do antigo Marco divisório dos estados do Mato Grosso e Amazonas, situado logo abaixo da cachoeira de Santo Antônio, levado pelo banzeiro provocado pela abertura de uma das turbinas da Hidrelétrica. Alardearam que o mesmo foi resgatado. Sim, aos pedaços, destruído. Será que irão RESTAURÁ-LO ou apenas o maquiarão e farão remendos para o recolocar no lugar? Ou quem sabe, nem isso, uma vez que as vozes sociais pouco têm clamado nesse sentido. Vimos nesses dias que a ponte da EFMM que corta o rio Jacy está submersa e que os autoridades das UHEs do rio Madeira informaram que a mesma ponte ficará, doravante submersa, em média por 3 meses por ano, tendo uma autoridade patrimonial informado que tal situação não implicará em danos à ponte que é de ferro.
Agora temos a notícia de que as águas do reservatório de Santo Antônio estão chegando à igreja do mesmo Santo, fato inusitado em qualquer outro momento das histórias das enchentes do rio. O que estará acontecendo? Porque nada foi feito de forma preventiva?
Ouvi relatos sobre a transformação de antigos paredões de pedra do Jirau, cobertos de petroglifos, pinturas rupestres e outras manifestações artísticas e culturais de sociedades indígenas ancestrais sendo transformados em brita para o avanço das barragens daquela UHE. Custei a achar que tal fato poderia ser sequer pensado. Hoje penso de outra forma.
Ainda vale a pena retornar ao tema do “CASARÃO DOS INGLESES” ou Casarão de Santo Antônio, que se encontra ameaçado e que o MPF me interpelou para saber de sua importância histórica, uma vez que, segundo o próprio MPF, o IPHAN declarou que o mesmo edifício não teria relevância histórica alguma. Aí a questão? O que é ter importância histórica? O sítio da antiga cidade de Santo Antônio é protegido e tombado pela Constituição do Estado de Rondônia e o casarão se encontra nele. Por lei, mesmo que o edifício não seja tombado, a paisagem local não pode ser alterada. Mais, será que a última construção civil daquela que foi a primeira cidade do Território federal do Guaporé não tem relevância histórica? Será que as memórias de tantos fatos sociais, culturais, políticos e históricos ali passados não asseguram sua relevância? Com a palavra o IPHAN.........
A pergunta é: com base em que este órgão e seu superintendente afirmaram isso? A ferrugem deixará de corroer as estruturas? O leito do rio onde a ponte está assentada não irá desbarrancar? O assoreamento não comprometerá suas estruturas?Porque então a ponte da rodovia foi reforçada para suportar as enchentes? Por outro lado as fotos sobre os desmoronamentos dos barrancos nas áreas dos mirantes deixam claro que o flagelo provocado pelos banzeiros vai destruir patrimônios naturais da comunidade de Porto Velho. Enfim, tive ontem a triste notícia de que um funcionário do Arquivo Histórico do Centro de Documentação da SECEL/RO, estava recortando jornais de uma coleção que deveria estar protegida, guardada e preservada. Alegando estar preservando notícias sobre o bairro do Roque, esse mesmo funcionário, a mando de seu superior destruía parte da memória impressa de nosso passado como sociedade. Descaso? Incompetência dos dirigentes do órgão? Negligência ou má fé e crime contra o patrimônio? Acho que temos aí um pouco de tudo.
E por aí vai. Hoje temos funcionando um Curso de Arqueologia na UNIR, formamos uma turma de especialistas em Arqueologia na FSL e a prefeitura consegue obter todas as licenças para obras no igarapé Santa Bárbara, berço da cidade de Porto Velho, sem realizar um único e mero diagnóstico arqueológico da área de enorme relevância para a memória da capital. E o que pensar de todas as outras obras, loteamentos, estradas, portos, pontes, etc. A lei é clara. O laudo arqueológico é tão importante como os laudos ambientais. Onde ficam as autoridades responsáveis pelo assunto? O que elas têm a dizer sobre isso tudo?
Pensando nisso e em muitas outras coisas os Departamentos de História e Arqueologia da UNIR fizeram hoje uma reunião em comum. O tema não poderia ser outro. Pauta única, o patrimônio histórico, cultural e arqueológico de Porto Velho e de Rondônia e os estado de descaso e abandono por que este mesmo patrimônio tem passado. A situação de total descaso e abandono em que se encontram nossas edificações, patrimônios naturais e tantos outros.
Assim, o grupo presente propôs a criação de uma força de trabalho, um grupo de estudos e pesquisas sobre a questão e a abertura de canais de diálogos com a sociedade que tem assistido a tudo, escandalizada, mas que, desagregada, pouco pode fazer. Estamos, então, criando o GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS INTERDISCIPLINARES SOBRE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO, CULTURAL E ARQUEOLÓGICO DE RONDÔNIA.
Este Grupo deverá propor ações sociais, via mídia eletrônica, redes sociais, imprensa em geral na tentativa de estabelecer o debate, a vigilância e a preservação de nossos bens patrimoniais. Queremos poder aplaudir nossas autoridades, empreendedores e outros pelo bem que possam vir a fazer ao nosso patrimônio, à nossa memória social comum e na preservação de nossa identidade como povo. Enquanto isso não for possível, como no atual momento, iremos trabalhar para esclarecer a sociedade, reuni-la em torno de causas comuns e lançar o debate e a luta civil organizada, legal e legítima em defesa de nosso acervo patrimonial.
Estamos trabalhando para o lançamento de um BLOG sobre o tema do Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico. Da mesma forma os Departamentos de História e Arqueologia irão criar uma página no site da UNIR para tratar oficialmente do tema. Dessa forma a Academia irá tomar posição, oferecer seu parecer embasado no conhecimento cientifico e acadêmico e assim, estimular a sociedade nessa caminhada rumo ao respeito aos bens patrimoniais e á preservação de nossa memória coletiva como um povo, um estado e um município.
Não suportamos mais ver nossa memória e bens patrimoniais tratados com tamanho descaso e descuido. A hora é agora devemos, todos nós, somar esforços para preservar o que restou de nosso patrimônio. Junte-se a nós você também. Todo apoio, contribuição e iniciativa nesse sentido será bem vinda.
Autor: Marcos Domingues Teixeira
Doutor em História
UNIR

domingo, 4 de março de 2012

A Erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Locomotiva da E.F.M.M na localidade de Abunã
No dia 10 de julho de 1972, Porto Velho estremeceu e chorou, quando ecoaram pela última vez nos quatro cantos da cidade, os apitos das locomotivas: era o adeus, face à paralisação definitiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Nas altas esferas burocráticas ninguém imaginaria que aquele traçado ferroviário se transformaria em um mito indelével para muitos, e para alguns outros, se substituiria numa nova pátria, afirmou mais tarde o professor Vitor Hugo. Na ocasião da desativação definitiva, um pioneiro da região e antigo funcionário da ferrovia, Vivaldo Teixeira Mendes, proferiu discurso emocionado, numa manifestação de quanto significou para os pioneiros que construíram Rondônia.
“ Estrada de Ferro Madeira-Mamoré! Tu que foste a estrada dos trilhos de ouro, tu que foste a espinha dorsal do Território, tu que foste a estrada da esperança, tu que foste a ferrovia do diabo, tu que transformaste Porto Velho na promissora cidade de Porto Velho, tu que foste pioneira da civilização e do progresso desta região...Hoje termina tua jornada. Quando o monstro de ferro não mais romper a mata com seu estridente apito, quando as criancinhas não virem passar a Maria-Fumaça, não tendo mais na sua inocência a quem acenar, quando tuas locomotivas e teus vagões, que carregavam tantas riquezas, descansarem na sucata, à margem da linha, apresenta-te, querida Estrada de Ferro, ante o altar da Pátria, altaneira e varonil, bate continência ao gigante pela própria natureza e dizer-lhe: Pronto, Brasil, missão cumprida! Minha querida Madeira-Mamoré...deixas a vida para entrar na história. Por poucos serás esquecida, por muitos serás lembrada e por todos serás venerada...”
Em 25 de maio de 1966, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré iniciou sua erradicação pelo decreto n° 58.501. No dia 22 de agosto do mesmo ano o Ministério da Viação e Obras Públicas assinou convênio com o Ministério da Guerra, atual Ministério do Exército, no qual passava o acervo da E.F.M.M. para a administração do 5° Batalhão de Engenharia e Construção, sendo que a transferência do atual Ministério dos Transportes para o 5° BEC deu-se em setembro do mesmo ano. Entretanto, aquela unidade militar teria verificado a inviabilidade da paralisação imediata da ferrovia, por ser ela o único meio de transporte de Porto Velho e Guajará-Mirim, mesmo porque ela se constituiria no principal ponto de apoio na construção da rodovia que viria substituí-la. Somente em setembro de 1968, com a abertura da estrada rodoviária é que teria começado a agravar-se o problema financeiro da ferrovia que, segundo seus dirigentes, quase entra em colapso; mesmo assim o 5° BEC a manteve precariamente até maio de 1972, quando o general Queiroz, comandante do 2° Grupamento de Engenharia autorizou a imediata paralisação do tráfego, sendo marcado o dia 10 de julho do mesmo ano para o apito final, na presença de autoridades constituídas e do povo em geral.

Aleks Palitot
Professor e Historiador