quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Furo do Candeias, desafio do homem na floresta


Casarão do Dr Martins Português datado de 1911 as margens do Madeira 
O “ciclo da borracha” é um evento na história econômica da Amazônia, que enseja farta matéria de estudo. Da atividade extrativa da borracha, decorrem também outros fatos históricos como, a conquista do Acre e a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Em virtudes desses fatos, as fronteiras brasileiras foram alargadas, surgindo novos estados: Acre e Rondônia.
O sentindo de alargar fronteiras, vai além de um todo, no que tange apenas a ampliação dos limites do Brasil amazônida. O poder dos seringalistas e os braços dos seringueiros, também conhecidos como “soldados da borracha”, possibilitaram façanhas conhecidas e desconhecidas em meio à floresta. Imaginar que nordestinos fugindo da seca do agreste, e migrando para a Amazônia com um bioma e geografia diferenciada, puderam abri um canal de um quilometro e meio em Rondônia, praticamente um novo rio, ligando assim os Rios Candeias e Madeira, isso sim é algo fantástico, vai além de alargar fronteiras. A vala ou furo do Rio Candeias, é até então pouco conhecido em história por quem vive em Rondônia.
Furo do Candeias ou Vala do dr. Martins próximo a São Carlos distrito de PVH. 
Percorremos o trecho em questão, navegando pelo canal, e percebemos a grandeza de tal obra, podendo imaginar as dificuldades da época para sua construção. Segundo o historiador da Universidade Federal de Rondônia, Dante Fosenca, estima-se que a obra tenha sido concluída em meados de 1910 ou 1912, e que o dono da ideia, seria de um engenheiro português chamado de Dr. Martins. Acredita-se que o mesmo tinha grau de parentesco com o fundador da cidade de Humaitá no Amazonas, o Comendador Monteiro, que possuía seringais as margens do Rio Madeira

Pelas de borracha sendo transportadas pelos rios da Amazônia
Segundo relatos, o dr Martins era proprietário do seringal Aliança em Cadeias do Jamari, e perdia considerável tempo no transporte de pelas de borracha pelo rio que dava nome a região, pois, por este se seguia até o encontro do rio Madeira.
Casarão abandonado em antigo Seringal Nova Aliança - uma das mais antigas
 edificações do município de Porto Velho - datado de 1911. 
Para os seringalistas, evidentemente tempo era dinheiro, por isso, para evitar prejuízos e  agilizar o transporte da borracha, dr Martins teria encontrado um ponto de proximidade entre os rios, e a partir desse paralelo teria traçado um caminho, somado ao desafio de desmatar o local em um trecho de 1,5 km, abrindo uma vala em uma região onde 80% do solo era argiloso. Não deve ter sido tarefa fácil, até por que não era de muita utilidade a dinamite, artefato comum nesses tipos de trabalho. Por isso, a maior parte do serviço foi feito pelos braços dos valorosos seringueiros que com pás, picaretas, inchadas, serras e machados; abririam a floresta e cavariam um canal por onde seria possível navegar com regatões e pequenas embarcações. Estas transportariam o ouro branco, a borracha, diminuindo distancias geográficas, dessa forma o homem da floresta era convidado diariamente a desafiar as adversidades em Rondônia, cavando um novo rio, um canal, uma vala.
Casarão abandonado com telhas francesas, piso lateral português, sistema de circulação
de ar, encanamento inglês, papel de parede português e piso de madeira nobre.
Quando visitamos a região, nos deparamos com antiga sede do seringal que agora seria denominado de Nova Aliança, a beira do Rio Madeira e próximo ao furo ou vala do senhor Martins. Lá encontramos um antigo casarão em ruínas datado de 1911. De impressionante arquitetura no estilo português com telhas francesas datadas de 1910. Ainda é possível encontrar parte do piso original na varanda da edificação e também o papel de parede da época na parte interna do casario. Próximo ao local, nos surpreendemos, com uma escola em ruínas com quatro salas de aula, o que é difícil, de se imaginar em um seringal. Onde a maioria dos coronéis e seringalistas, preferiam trabalhadores não instruídos para assim facilitar o sistema de barracão e aviamento, comum nesse tipo de economia, onde o soldado da borracha era explorado. Sabe-se que a esposa do dr Martins era professora, e em meio a sede do seringal sem ter o que fazer no dia-dia, teria insistido ao marido, a necessidade da construção de uma escola onde ela pudesse lecionar e se sentir útil.
Cemitério do Seringal próximo ao casarão português
A produção de borracha foi uma atividade que proporcionou ao governo brasileiro, a oportunidade ocupacional, a organização política administrativa da região, usando apenas os recursos naturais que a floresta oferecia. Os rios serviam aos exploradores como estradas por onde os recursos naturais saíam, transportados para grandes centros comerciais. O homem nordestino representou para o governo, a força de trabalho, a mão-de-obra empregada para extrair as riquezas. Após a exaustão da produção do látex a mão-de-obra foi descartada e os seringueiros foram esquecidos, abandonados no meio da floresta, e aí permaneceram, viveram e envelheceram. Mas, sua história sempre será evidenciada, no intuito de lançar luzes sobre o legado de um povo, que com braços fortes encarou a floresta e construiu uma linda história.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87

Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Santo Antônio de muitas Histórias

Área portuária de Santo Antônio do Alto Madeira - 1915
Em Santo Antônio do Madeira desde 25 de janeiro de 1873 já havia uma Mesa de Renda para cobrança de impostos e, em 7 de julho de 1891 fora estabelecida a coletoria, seguindo-se a criação e instalação da comarca, com seu primeiro Juíz de Direito, o Dr. João Chacon. Lembrando os nomes do PE. João Sampaio, missionário jesuíta do século XVIII, de Félix de Lima, de Severino da Fonseca e outros, rasgaram-se as ruas, praças e avenidas em plena floresta. Não havia esgoto, nem água canalizada, nem iluminação de qualquer natureza, onde o gado era abatido em plena rua à carabina e as porções não aproveitadas, abandonadas no próprio local, onde monte de lixo e de todos os produtos da vida vegetativa eram atirados às vielas esburacadas ou apoiados às paredes das habitações, onde pântanos perigosos proporcionavam aluviões de anofelinos a espalhar a morte por todo o povoado.
Marco Divisório em Santo Antônio (fonte: Manuel Português)
Santo Antônio foi elevado a município em 1908, mas só em 1912 deu-se a instalação; eis que sob a liderança do primeiro prefeito municipal, Dr. Joaquim Augusto Tanajura, tenente médico baiano da Força Policial, que acompanhara como médico a Comissão Rondon de 1909. Em Santo Antônio a vida tornava-se mais humana: já havia iluminação elétrica, cogitava-se a instalação de uma biblioteca, enquanto “O Bilontra” (tipo de jornal mural) colado nos muros substituía o jornal cotidiano. Logo de início abriu-se uma escola e planejava-se importante estrada de rodagem, embora pequena. No entorno da localidade, continuava a presença dos índios.
O autor de “Desbravadores” às págs. 215 e seguinte do primeiro volume, assim descreve Santo Antônio:
“Gente de todo mundo acabava de chegar – fazia anos! – à margem da primeira cachoeira inferior do rio Madeira. Brasileiros vindos de quase todos os pontos do país, ingleses, italianos, espanhóis, peruanos, bolivianos e portugueses”
Santo Antônio do Alto Madeira- 1921
A região era ocupada por uma população ondulante, instável, de aventureiros aliciados para um trabalho que oferecia todas as probabilidades da desventura. Fracassados na vida, audaciosos e viciados, aumentavam ao sabor das condições econômicas. O dia escoava-se ao ritmo do trabalho; a noite, ao ritmo da algazarra, da música, dos gritos e discussões em uma dúzia de línguas nos botequins, casas de jogo e de tolerância. Estas, eram numerosas: as francesas chegadas de Paris alinhavam-se com as brasileiras, as espanholas e bolivianas, de permeio aos homossexuais e pederastas.
Força Estadual na Vila de Santo Antônio (Fonte: Manuel Português)
Bebia-se champanhe, cerveja e aguardente. Comia-se peixes do rio Madeira e as mais finas conservas nacionais e estrangeiras. As brigas eram freqüentes, os crimes comuns, lê-se no 1° Livro de Ofícios do Arquivo do município de Santo Antônio: uma verdadeira “currutela” (pequena vila com comércio), dir-se-ia hoje em termos de garimpo.
Assim é que, não obstante a passagem benéfica de Oswaldo Cruz ( o município aduirira dez mil cápsulas de quinino), o Livro de Óbitos evidencia que era alto o índice de mortes, sobretudo crianças, causados por Beribéri e o impaludismo.
O autor de “Desbravadores” lembra ainda que, contra tantas adversidades, vingara a idéia da edificação de uma capela, “Não fora convicção, se-lo-ia ao menos para querer imitar as outras terras civilizadas”.
Em todo caso, em meio aquela multidão de homens sem nenhuma instabilidade, havia uns poucos bem intencionados. Em 1919 era Prefeito o Dr. José Adolfo de Lima, tendo como vereadores de sua Câmara Municipal, Salustiano Alves Correia (presidente), João Ranulto Brasil, João L. de Souto, Boaventura S Rolim, Manoel S. dos Santos, José F. da Conceição e Raul Arantes Meira.
Hoje, a localidade de Santo Antônio é sombra de um passado movimentado. História esquecida e abandonada por gerações, onde poucos sonhadores ainda lutam por seu resgate, revitalização e preservação do patrimônio histórico. Se no distante passado, os gestores e políticos de época buscavam solucionar os problemas da localidade com o intuito de seu desenvolvimento, hoje, a geração política nem se constrange em negar o passado, fechando os olhos para a identidade local, lugar que foi o primeiro núcleo habitacional a margem direita do Rio Madeira, marco de ocupação da região de Porto Velho, vergonhosamente abandonado no presente, foi glória no passado, talvez esquecida no futuro.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

domingo, 29 de junho de 2014

GETÚLIO VARGAS E A ÚLTIMA CARTADA - 60 anos da Morte do Estadista


Vivo ou morto, Getúlio é o grande mito político da nossa história recente. Seu suicídio foi um golpe de mestre. Imobilizando os inimigos, ele possibilitou a manutenção da ordem democrática e a eleição de Juscelino, em 1955.
O suicídio de Getúlio Vargas, ocorrido há sessenta  anos, foi um acontecimento trágico e único na História do Brasil, razão pela qual vem sendo recordado e reforçado por múltiplos mecanismos da memória. Não fosse isso suficiente, o ano de 2014 também assinala os quarenta anos do golpe civil-militar de 1964, outro evento traumático da política nacional, que guarda com o suicídio um laço fundamental. Não só os analistas políticos profissionais, como também grande parte da população que tem acesso a informações, sabem e repetem que o suicídio adiou por dez anos o golpe. Ou seja, se Vargas não tivesse dado um tiro no coração, a conspiração que então se armava contra ele dificilmente seria evitada.


O segundo governo Vargas (1950-54) não transcorreu com tranqüilidade, tendo o presidente sofrido, sistematicamente, a oposição da maioria da imprensa e de grande parte dos setores políticos e militares, Mas, em agosto de 1954, uma grave crise se instalara com o atentado ao jornalista Carlos Lacerda, desencadeando um impasse de graves proporções, onde se opunham um presidente eleito, gozando ainda de grande popularidade, e uma ferrenha e aguerrida oposição militar, que acusava o governo, especificamente o próprio Vargas, de estar envolvido em um “mar de lama”. Tudo isso, é bom lembrar, tendo como cenário a Guerra Fria, que alimentava o medo dos comunistas e também dos sindicalistas.


A tensão chegou a tal ponto que a renúncia do presidente foi pedida, ficando claro que, se ele não se afastasse, seria deposto mais uma vez. Foi nessas circunstâncias que Vargas se matou, num derradeiro golpe político que visava reverter uma situação que vinha beneficiando os antigetulistas. Lançando sobre eles se cadáver, Vargas, como escreveu na carta-testamento, oferecia seu corpo em defesa do povo e da pátria, saindo da vida para entrar na história. Nunca se saberá o que teria realmente acontecido no Brasil caso Vargas não tivesse se matado.


Mas é certo que sua morte transformou o equilíbrio das forças políticas vigente, bloqueando o golpe que armava e possibilitando a manutenção da legalidade constitucional, com a realização das eleições para presidente, em que saiu vitorioso Juscelino Kubitschek. Importa assim ressaltar o “sucesso” imediato do suicídio para a manutenção da democracia no Brasil. Trata-se de uma excelente janela para adentrar à chamada Era Vargas (1930-45), e aí, particularmente, para se pensar nas razões que tornam possível a construção da figura desse presidente como um mito da política nacional.

Quando Vargas se matou, não era mais o chefe de um governo ditatorial, como fora durante o Estado Novo (1937-45), mas um presidente eleito pelo voto popular, em disputado pleito ocorrido em 1950. Sua vitória foi uma surpresa para os opositores, reunidos na União Democrática Nacional, a UDN. Estes acreditavam que um ex-ditador não poderia ser eleito, e, se o fosse, não poderia tomar posse. Tanto que questionaram as eleições e a consideraram, como frequentemente os derrotados fazem, uma prova cabal de que o povo brasileiro não sabia votar. O Povo, contudo, como evidencia a marchinha campeã do carnaval de 1951, “ Retrato do Velho” (“Bota o retrato do Velho outra vez, Bota no mesmo lugar, O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar”. De Haroldo Barbosa Pinto), parecia não se haver enganado quando votou em Vargas para presidente. Foi esse mesmo povo, aliás, que saiu às ruas de várias cidades do país, em agosto de 1954, chorando e gritando, provocando incêndios e quebra-quebras, tudo para deixar claro seu apreço ao presidente morto e, mais uma vez, para assustar a UDN e os antigetulistas. Esses tiveram de fugir ou se recolher, reconhecendo a força do último golpe de Vargas: um golpe de mestre.
           
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

sábado, 21 de junho de 2014

Expedição Rondon-Roosevelt: 100 anos de uma aventura na Amazônia


Margem do antigo Rio da Dúvida renomeado por Rondon como Rio Roosevelt - 1914

Parte 1 – Estratégia

São muitos os questionamentos sobre tamanha façanha de um ex-presidente americano que se aventurou na região do atual Estado de Rondônia. Um homem habituado a tomar decisões que afetavam a vida de muitos compatriotas quando ainda era presidente da nação americana. Agora, em meio a grande floresta Amazônica, tal personagem teria sido reduzido a um encarcerado de uma prisão inglória com animais selvagens, povos indígenas, insetos e trilhas desconhecidas. As decisões que anteriormente eram tomadas na Casa Branca quando ainda era presidente do Estados Unidos, e afetavam diretamente o mundo através do Imperialismo Americano, agora definiriam a sobrevivência de um aventureiro que um dia fora poderoso, e na floresta será um simples mortal diante das surpresas que um ambiente selvagem e desconhecido lhe reservava.

Ex-presidente americano Roosevelt

Para muitos, Marechal Rondon teria sido vítima de uma ordenação e obrigação de acompanhar o Presidente Theodore Rooselvet na sua empreitada no vasto desconhecido da Amazônia. Com muita desconfiança e desconforto Cândido Rondon segue na missão de apresentar o “Eldorado Verde” ao celebre visitante. Desconfiança oportuna já que Rondon não se alegrava nos interesses e cobiça internacional pela riqueza da nossa floresta, ainda sendo o visitante o autor da política imperialista americana conhecida de Big Stick.
Enfim missão dada para Rondon será sempre claro missão cumprida. O grande personagem dos rincões da Amazônia será o guia do audacioso homem norte-americano que dizia não temer a floresta. Mal sabia ele as surpresas que lhe eram reservadas.

Análise dos mapas por Roosevelt devidamente protegido dos mosquitos
Paralelamente a organização da Expedição Rondon-Roosevelt a construção das Linhas Telegráficas na Amazônia iniciadas em 1907 pelo próprio Marechal Rondon, eram questionadas por autoridades e políticos brasileiros, devido seu alto custo. Somado a isso, Rondon tinha noção de que a construção da linha telegráfica provavelmente acabaria por estancar durante os setes meses e meio em que ele integraria a expedição. Justificaria em parte sua decisão mencionando a publicidade que sua participação nas atividades de Roosevelt traria para o projeto telegráfico. Acertara na sua posição, pois os jornais do Rio de Janeiro fizeram grande alarde em torno da expedição e das obras do telégrafo de Rondon por meses a fio. Além disso, a imprensa dera cobertura integral às conferências sobre a viagem que Theodore Roosevelt proferiu em junho de 1914 na Inglaterra, e também à publicação do relato de Roosevelt sobre a expedição.

Acampamento das Linhas Telegráficas - Rondon
Mas só a publicidade não concluiria a construção da linha. Por isso, Rondon voltou imediatamente ao noroeste do Mato Grosso (Rondônia) para comandar a arrancada final das obras.
Desde outubro de 1913, viajara até o Rio de Janeiro, voltara para Mato Grosso e conduzira a expedição de Roosevelt ao rio da Dúvida. Agora, voltava para terminar as obras, com o pensamento fixo na data da inauguração, que fora adiada para 1° de janeiro de 1915. Enquanto Theodore Roosevelt descansava em seu camarote no transatlântico, e depois em sua casa em Oyster Bay, Nova York, Cândido Mariano da Silva Rondon voltava a embrenhar-se na bacia amazônica para iniciar a fase mais difícil e crucial da construção do telégrafo.
Durante a Expedição Roosevelt era o comandante titular, e Rondon não tinha escolha a não ser respeitar a vontade do americano. Assim, recordaria mais tarde, respondeu a Roosevelt que estavam ali para acompanhá-lo e guiá-lo pela selva e que executariam os serviços de acordo com sua vontade. E concluiria que, por essa razão, o levantamento prosseguiu sem que pudessem obter todos os benefícios dos recursos técnicos que dispunham e com os quais haviam realizado um trabalho suficientemente exato e correto.
Roosevelt e Rondon

Ainda no Rio de Janeiro onde o presidente americano desembarcara, Rondon propôs ao Roosevelt a exploração do Rio da Dúvida em vez de uma simples caçada no noroeste brasileiro, e Theodore aceitou a proposta com entusiasmo. Rondon tinha quase certeza de que esse rio desaguava no Madeira, mas seu curso ao norte nunca fora mapeado ou explorado, o que explica seu nome. Para chegar ao rio, a expedição primeiro partiria do posto de abastecimento da comissão em Tapirapuã até a linha telegráfica em Utiariti. Em seguida, os homens acompanhariam a linha telegráfica por aproximadamente 250 quilômetros até as cabeceiras do Rio da Dúvida. Esse novo e decididamente itinerário preocupou o ministro das Relações exteriores, Muller, que alertou Roosevelt sobre os perigos. Afinal, durante a jornada o presidente completaria 55 anos.

Acampamento da Expedição - 1914

Durante a aventura na Amazônia de Rondônia, os insetos e as doenças estarreceram os americanos. Nuvens de praga exasperavam os homens. Borrachudos, abelhas Lambe-suor e maribondos picavam-nos por cima dos chapéus e das luvas. Carrapatos cobriam-lhes as roupas. Formigões de três centímetros de comprimento tinham uma ferroada “parecida com a de um escorpião pequeno”, Roosevelt reclamou.

Roosevelte em Conferência Científica na Inglaterra - 1914
Em 26 de abril de 1914 o exausto grupo aproximou-se da confluência dos rios Aripuanã e Dúvida. Rondon rebatizara este último com o nome de Roosevelt. Ali as bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos tremularam no alto do acampamento comandado pelo tenente Pirineus de Sousa. Em 59 dias, os membros da expedição haviam percorrido cerca de 640 quilômetros. Tolhidos pelas corredeiras, haviam levado 48 dias para avançar pelos primeiros 270 quilômetros. Agora, bebiam e banqueteavam com a comida que o grupo auxiliar do tenente Pirineus lhes trouxera.


Em 30 de abril membros da expedição foram a Manaus via Rio Madeira, e ali médicos brasileiros providenciaram tratamento para uma das pernas ferida de Roosevelt.
Rondon voltou ao Rio de Janeiro no início de 1915, foi aclamado por seus esforços tanto na expedição Rondon-Roosevelt e na construção das Linhas Telegráficas e, para platéias lotadas, fez conferências empolgantes sobre as heróicas realizações da comissão.
    

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87

Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098