quarta-feira, 20 de abril de 2016

Primeiro Café com História do ano



O Café com História é um projeto dos professores do Colégio Objetivo e tem como intuito reunir historiadores da capital para debater fatos históricos recorrentes nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. O evento é gratuito e aberto à comunidade porto-velhense.

A primeira edição do Café com História de 2016 acontecerá no dia 29 de abril e sua a temática abordará parte da república velha onde ocorreram movimentos do chamado banditismo social (Cangaço e Canudos) e o contraponto, o Coronelismo. “Esses são assuntos que sempre são abordados nas questões do Enem”, explica o professor de História, Aleks Palitot.

Para fazer a apresentação dos temas, o Colégio Objetivo convidou o doutor em História, professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Marco Teixeira. Além dele, os professores de história do Colégio Objetivo Tiago Manso, Rita Vieira, Elen Regina e Daniel Araújo também estarão presentes nos debates e resoluções de questões. “Como participação especial, teremos a presença do professor Lourismar Barroso”, informou Palitot.

Na literatura brasileira, o Café com História relembrará obras importantes, que abordam algo semelhante à temática como, O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. “Além dele, vamos homenagear também Mário Vargas Llosa, autor de A Guerra do Fim do Mundo. São obras que retratam muito bem a época que iremos debater”.

O evento será no auditório do Colégio Objetivo, às 19h30 e contará com sorteios de brindes. O Colégio Objetivo fica localizado na Rua Paulo Freire, 4767, bairro Flodoaldo Pontes Pinto. Informações pelo telefone (69) 3211-6029.

Assessoria de Comunicação
  GRUPO PELLUCIO

domingo, 10 de abril de 2016

Amazônia e os seus primeiros habitantes

Nos sítios arqueológicos da Amazônia, foram encontrados vestígios, em sua grande maioria, de pedra e de cerâmica. Além do mais, os povos da região não conheciam nem possuíam escrita. Com isso, podemos caracterizar a arqueologia da Amazônia pela fabricação de objetos de pedra e de cerâmica, além do material perecível (madeira, fibras, folhas, etc).
Dentre os sítios e vestígios arqueológicos da Amazônia, conforme a pesquisadora Adélia Engrácia, temos como os principais tipos:

SAMBAQUIS: Consiste em depósitos de conchas encontrados, no caso, ao longo das margens dos rios da Amazônia.
PALAFITAS OU ESTARIAS: Cabanas erguidas sobre estreitos em lagos, lagoas ou áreas inundáveis.
INSCRIÇÕES RUPESTRES: Gravuras de desenhos em pedras e abrigos sob-rocha, observados nos rios Xingu, Negro, Uaupés, Mamoré, Guaporé, Madeira, dentre outros.
Desenho rupestre na região de Presidente Médice
ATERROS ARTIFICIAIS: Aterros feitos, em áreas inundáveis, por povos indígenas para construir suas aldeias. Em geral, tais aterros possuíam de um a três metros acima do nível da água.
HIPOGEUS OU POÇOS ARTIFICIAIS Eram escavações usadas como cemitérios.
O estudo histórico sobre a arqueologia da Amazônia, serve para nos mostar a maneira de viver (a cultura) complexa e diversificada dos índios da Amazônia. Diversas culturas são destacáveis pela qualidade artística de suas produções, tais como: Cunani, Maracá, Miraranguera e, principalmente, as culturas de Marajó e de Santarém.
Estatueta feminina encontrada em Presidente Médice
Com relação às culturas de Marajó e Santarém, pode-se notar que, além do complexo acabamento artístico, suas cerâmicas apresentavam outras funções, como:

MARAJÓ
A cerâmica Marajó apresentava duas funções básicas: utilitária, pois eram formas funcionais e sem decoração nas superfícies; religiosas, apresentando variados tamanhos e formas, além de complexa decoração artística.
Cerâmica Majaró
SANTARÉM
A cerâmica Santarém compreendia vários utensílios (vasos, taças, bacias,etc), servindo para exercer funções diversas. Dessa maneira, a partir da arqueologia da Amazônia, podemos ter uma idéia preliminar e geral sobre as culturas pré-coloniais da região.

POPULAÇÃO INDÍGENA EM RONDÔNIA

O início da ocupação humana na Amazônia se deu há pelo menos 14 mil anos, entre final do Pleistoceno e o começo do Holoceno. Esta data pode ser ainda mais antiga, alcançando cerca de 20 mil anos. Sendo assim, os primeiros ocupantes destas terras em transformação foram grupos que viviam da caça, pesca e coleta. Ao que tudo indica, estariam organizados em pequenos bandos, decerto compostos por algumas famílias, as quais tinham grande mobilidade espacial em um território imprecisamente marcado.
Nômades, eles deixaram vestígios fugazes, como restos de lascamentos da pedra e fogueiras esparsas, contando-se, atualmente, com poucos sítios arqueológicos cadastrados. Muitas vezes, suas pistas se restringem a belas pontas de projéteis em sílax e calcedônia, recolhidas por dragas de garimpo no fundo do Rio Madeira ou nas altas barrancas de suas margens.
Índio Suruí em Rondônia
Existem inúmeros sítios arqueológicos em Rondônia em seus diversos municípios com oficinas líticas, desenhos rupestres em lajedos e etc. Muitos localizados em Porto Velho, Nova Mamoré, Costa Marques, Presidente Médici, Ji-Paraná, Rolim de Moura, Alta Floresta do Oeste, Machadinho e Guajará-Mirim principalmente.
Ao longo dos milênios, os esparsos habitantes acabaram se espalhando por toda região, criando raízes. E ele teriam sido, ainda, os responsáveis pelas primeiras alterações no meio ambiente, relativas ao manejo de espécies florestais preferidas e experimentações de cultivo, desde ao menos oito mil anos. Este longo processo de alterações genéticas foi necessário para a plena domesticação das plantas, o que levou ao surgimento de sociedades intensamente agricultoras e de alta densidade populacional, como as de hoje. 
Índios Gavião em Rondônia. 
Ainda não foi possível chegar-se a números mais exatos e a estimativa mais fidedignas sobre a população original da Amazônia, todavia, de outro lado, não resta dúvida de que a Amazônia ocorreu uma verdadeira catástrofe demográfica com relação à população indígena.
Isso pode ser visto ainda hoje, pois o maior dos sintomas desse grande despovoamento é a condição de extinção a que está submetida a maioria das poucas culturas indígenas que restaram.
Os índios mais antigos relatam como viram outras nações indígenas amigas e adversárias desapareceram ainda neste século. Outros, completamente destribalizados e dizimados culturalmente, não tiveram outro caminho senão integrar-se à cultura dos “brancos”, vivendo em condições de extrema precariedade. Apesar dos esforços dos índios, de antropólogos e organizações, muitas culturas já entraram num processo irreversível de extinção.
Essa catástrofe demográfica tem suas origens com a invasão do colonizador europeu, que passou a tomar posse das terras dos índios, escravizando a mão-de-obra indígena e impondo sobre essas culturas a força da espada e o temor da cruz, como forma de civilizar aquele que era tido por “selvagem”.
Além do mais, os colonizadores trouxeram muitas doenças e problemas sociais que, antes, não existiam entre os indígenas, o que colaborou ainda mais para a dizimação se desse de maneira acelerada e intensiva.
Dentre os vários grupos indígenas existentes em Rondônia, podemos destacar dez grupos de maior expressão no Estado: Gavião, Arara, Cinta Larga, Karitiana, Karipuna, Pakaás-Novos, Suruí, Tupari-Makurap-Jabuti, Kaxarari e Uru-EU- Wau-Wau. Os grupos indígenas de Rondônia ocupam uma área de 4.524.142 há, equivalente a 18,62 % do território do Estado.
Desenhos rupestres em Jirau - Rondônia
A tribo dos Gaviões encontra-se localizada nas proximidades do Posto Indígena Igarapé Lourdes, no afluente do Rio Ji-Paraná. Por volta de 1955, ocorreu a classificação da língua falada pelos Gaviões, constatando-se que se tratava de uma ramificação do tronco Tupi. O contato, de fato, dos índios Gaviões com a população “branca” ocorreu devido à penetração marcante dos seringueiros e caucheiros em terras que até então eram inexploradas. E, por esse motivo, os índios acabaram por aprender as atividades cabíveis a um seringueiro, iniciando-se assim o processo praticamente inevitável de perda da sua identidade étnica e sua integração como indivíduos das populações locais, pois, de um lado, havia a presença de seringueiros e, de outro, os, missionários com seus objetivos eclesiásticos.
A tribo dos Araras localiza-se bem próximo à aldeia dos Gaviões, sua língua, apesar de ser do tronco Tupi, é da família Ramarama. O ano de 1853 marca o primeiro contato desta tribo com os missionários, que não foram bem sucedidos, pois os índios Araras não aceitavam ser catequizados. Ao findar do século XIX, os missionários tentaram mais uma vez a aproximação com os Araras, que se encontravam enfraquecidos, pois haviam contraído doenças que estavam dizimando sua população. No entanto, os índios não se deixaram abater, e mais uma vez expulsaram os jesuítas. Porém, não conseguiram vencer os seringueiros e os caucheiros que chegaram à região, estabelecendo assim relações pacíficas com eles.
Índios Karipuna na região de Porto Velho - 1910.
A tribo dos Cinta Larga em Rondônia habita a área do Parque Indígena Roosevelt, a área que está incluída no Parque Indígena do Aripuanã. A classificação linguística dos Cinta Larga, também, procede do tronco Tupi (família Mondé). As terras dos Cinta Larga fazem parte de uma zona aurífera de Rondônia. Por esse motivo, os primeiros contatos desses índios com os não-índios ocorreram através dos garimpeiros, contato marcado por extrema hostilidade indígena em razão de as suas terras estarem sendo invadidas, de um modo geral, por conta da presença áreas ricas em diamantes. Um dos eventos trágicos é o caso do Massacre do Paralelo 11 na região indígena. Muitos índios foram massacrados por garimpeiros e jagunços.
Os Karitianas são uma tribo que vive na área do Parque Indígena Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda do século XVIII, os Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda no século XX, quando passaram a sofrer exploração por parte dos caucheiros e seringueiros. Em 1910, com o surgimento do Serviço de Proteção ao Índio, SPI, a tribo dos Karitianas passou a receber proteção desse órgão, evitando assim que fossem explorados.
Índio Karipuna na região de Porto Velho.
No século XVIII, uma das tribos mais comentadas da região era a dos Karipunas, visto que essa tribo estendia-se pelas margens dos rios Madeira, Mutum-Paraná e Jaci-Paraná, fato que a colocava em contato direto com as pessoas que estavam trabalhando na construção da ferrovia. Por esse motivo, os Karipunas foram os mais atingidos com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
O grupo indígena dos mais numerosos de Rondônia é o Pakaás-Novos. Estes encontram-se espalhados por uma vasta região do município de Guajará-Mirim. Os primeiros contatos dessa tribo, no passado, foram estabelecidos com os jesuítas, os trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e com os seringueiros e caucheiros, o que foi marcado por conflitos, seguida de morte de ambos lados.
Índios Uru-Eu-Wau-Wau em Ariquemes
O grupo indígena que se encontra em isolamento é o dos Uru-Eu-Wau-Wau, que, apesar de terem estabelecido contato com a FUNAI, optaram por permanecerem isolados da “civilização”.
A tribu dos Suruí passou a enfrentar sério problemas quando se expandiu a colonização na região do centro do Estado de Rondônia, no período dos projetos de integrados de colonização da década de 1970, o que facilitou as invasões de suas terras principalmente de grileiros. Os Suruís nunca estiveram abertos ao contato com os povos “brancos”, fato este comprovado, pois jamais se deixaram evangelizar por missionários. Por esse motivo, os primórdios são marcados por conflitos, em sinal de defesa de suas terras, que eram invadidas ou ameaçadas.

Aleks Palitot
Professor e Historiador


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Jaru: terra de gigantes

Estação Telegráfica de Jaru - Comissão Rondon
Dentre as grandes nações indígenas que dominavam a região territorial de Rondônia, destacavam-se os Jarus, que se localizavam às margens dos igarapés Pacaás Novas e Ouro Preto, afluentes do rio Mamoré; Aripuanã e Roosevelt, além do rio que leva seu nome. Arredios e agressivos, os Jarus se confudiam com os índios Toras, Urupás e os Pacaás Novos; estes últimos pertenciam às nações dos Jarus e Chapacuras.
Rodoviária da localidade de Jaru
Ali, sob o imenso tapete floral, entre o espaço geográfico já mencionado, e principalmente entre os rios que eram denominados pelos índios de “Tramac” e “ Uaneri”, mais tarde denominados pela comissão Rondon por Jaru e Anari, respectivamente. Vivia a nação Jaru, ao lado dos Tupis, Aruaques, Muras, Caraíbas, dentre outros grupos, até a passagem da linha telegráfica em 1909, quando Rondon rasgara a densa floresta tropical nas terras de Rondônia, em busca de Santo Antônio do rio Madeira. Naquela época, já os nordestinos marcavam sua presença explorando o látex e arrasando as tribos locais, das quais Rondon ainda encontrou vestígios nítidos, como três grandes capoeiras e bananais, já denominadas pelos seringueiros, por São Pedro, a que ficavam em águas do Coatá, São João e uma outra mais para os lados do Anari. Tais capoeiras foram localizadas entre 1916-17, quando o tenente-coronel Nicolau Bueno Horta Barbosa, um dos membros da Comissão Rondon, foi incumbido de explorar o Anari, então localizou também, alguns poucos Jarus em andanças pela região.
Parte central da localidade de Jaru - Fonte: Amizael Gomes
Em 1912, Rondon voltava pela picada feita anteriormente, agora fincando os postes e esticando o fio da linha telegráfica, ao mesmo tempo em que construía a rústica estação do Jaru, em volta da qual guardas-fios e seringueiros construíam seus tapiris. Também uma firma (CENSE) instalou aí o barracão Santos Dumont, por considerar lugar estratégico, entre a forquilha formada pelo rio Jaru e a picada da linha telegráfica. Entretanto, como o nome foi dado pela comissão Rondon, em homenagem à nação Jaru, perpassou o tempo com alguns poucos moradores dos seringais do senhor Cantanhede que chegara ali, depois de assumir o controle da Companhia, quando então tornou-se fundador do Seringal Setenta. Seringueiros e guarda-fios viveram ali até a abertura da BR-364 e a implantação de projetos de colonização do INCRA, como o Padre Adolfo Hohl, responsável pelo crescimento explosivo do minguado lugarejo em finais da década de 60 do século XX, mas que fora crescendo à medida em que os migrantes iam penetrando nas linhas abertas por eles e pelo INCRA.
Período dos projetos de colonização em Jaru - Fonte: Assis Canuto
Com o asfaltamento e inauguração da BR 364, iniciou-se ali, um ponto de apoio aos camponeses e empreiteiras, havendo alguns poucos comerciantes que permaneceram até o momento histórico da ocupação pelos agricultores vindos do sul do país, atraídos pelas terras férteis e também porque tinham na certeza de conseguirem seu próprio sítio onde haveriam de produzir.
BR 364 próximo a Ponte do Rio Jaru.
Ali, as dificuldades foram enormes e cruéis com os migrantes, mesmo assim sobreviveram como bravos, vendo seus familiares sendo ceifados pela morte decorrente da malária, que chegou a motivar a triste cognominação de “pátria da malária”, pelo jornal “O Guaporé”. Outros males danosos, o isolamento decorrente da precariedade das estradas de penetração e, até mesmo da BR 364 antes de sua inauguração, que em épocas de chuvas, torna difícil o acesso a outros cantos de Rondônia.


Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Porto Velho, faces de uma história

Cidade de Porto Velho capital de Rondônia, década de 1950.
 “Nascestes ao calor das oficinas do Parque da Madeira Mamoré, pela forja dos bravos pioneiros, imbuídos de coragem e fé”.
Esse trecho é parte do hino de Porto Velho, letra de C. Feitosa, hino que talvez poucos nascidos em Porto Velho teriam conhecimento. Por isso, lembrar da instalação de administrativa de nossa cidade é tão importante. São nessas datas que levamos os cidadãos de Rondônia a conhecerem um pouco mais de nossa história, e assim refletir sobre a história de nossos pioneiros.
Pátio de obras da Estrada de Ferro em 1909.
Com a construção do Centro Administrativo da empresa construtora da ferrovia no antigo Porto Velho Militar, logo nas imediações os trabalhadores iniciaram a construção de suas casas para o lado que dava para Santo Antônio. Em 1913 criava-se a Vila de Porto Velho, e já no dia 2 de outubro de 1914 era publicada a lei número 757, criando o município de Porto Velho. Com o decreto assinado pelo Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas, no dia 24 de janeiro de 1915, instala-se solenemente, e era considerado município autônomo, sendo o seu superintendente (prefeito) o Major do Exército Fernando Guapindáia de Souza Brejense, e intendentes, e suplentes, José Jorge e Braga Vieira, Luziano Barreto, Manoel Félix de Campos, Antônio Sampaio, José Camargo Achiles Reis, Alderico Castilho, José Pontes e como secretário, Sr. Manoel Pires de Castro.

Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas

A cidade na opinião de Oswaldo Cruz era “um cenário desordenado” de 800 habitantes. Todos os barracos eram de madeira, inclusive os grandes barracões da companhia construtora que ficavam sobre pilares de alvenaria e cobertura de telhas francesas; outros eram cobertos com zinco e sobre esteios de quariquara ou itaúba, preferencialmente, sendo a grande maioria improvisadas cabanas de palha. Enquanto isso no Clube Internacional (hoje Ferroviário) mulheres e homens dançavam o fox ao son de jazz; rubicundos ingleses vestidos de branco, a beber uísque; alemães ingênuos e sorridentes, servindo chopp com avidez; francesas de Marselha, com admirável eroísmo profissional, sorrindo acintosas e convidativas aos peões.

Avenida Presidente Dutra com Sete de Setembro.


O PRIMEIRO PREFEITO

O governo de Guapindaia foi marcado por uma série de desentendimentos com os administradores da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, pois a ferrovia gozava de isenção de impostos estaduais e municipais, além de ser detentora de grandes porções de terras destinadas ao uso da ferrovia.
Major Fernando Guapindaia
Como anteriormente a palavra do superintendente da Estrada de Ferro era lei, sendo que até a distribuição de lotes para a construção era, no entender dos administradores da ferrovia, da sua alçada, o major Guapindaia sentiu-se ferido em seus brios naturalmente reagindo e tendo como resposta inicial o cancelamento “ do passe grátis” que lhe fornecia a Madeira Mamoré, além de ser convidado a se retirar do prédio em que se instalara a prefeitura (em frente ao Mercado Central), bem como da casa onde morava e que pertencia à estrada de ferro.
Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em Porto Velho
Guapindaia continuou sua investida contra os ferroviários, proibindo a retirada de dormentes e lenha dos locais que ele julgava estar de fora dos limites concedidos à ferrovia.
Avenida Sete de Setembro em Porto Velho
Tal medida gerou revolta, não somente nos chefes ferroviários, mas também dos que viviam de empreiteiras na extração de madeira, tendo os advogados da companhia entrado com recursos e, ao mesmo tempo, pressionando o superintendente para uma prestação de constas.

O ALAMBRADO

Praça Jonathas Pedrosa entre Sete de Setembro e Barão do Rio Branco

A intendência aprovou lei autorizando o superintendente  a dar nomes as ruas, sendo chamada de Avenida Divisória a que separava as terras da companhia das terras do município, que é a atual Av. Presidente Dutra, e nela  os ferroviários construíram um alambrado separando as terras da Madeora-Mamoré. As outras ruas foram denominadas Sete de Setembro, Rio Branco, Floriano Peixoto e Pedro II, embora algumas fossem apenas caminhos tortuosos. Em 1919, Guapindaia tentou eleger-se prefeito de Porto Velho, porém, não era pessoa grata da Madeira-Mamoré e, embora fosse apoiado pelo Dr. Joaquim Tanajura, foi derrotado pelo Padre Dr. Raimundo Oliveira. O Governo de Guapindaia o primeiro de Porto Velho, foi de 24 de janeiro de 1915 a 31 de dezembro de 1916, quando foi empossado o Dr. Joaquim Tanajura, eleito para o triênio de 1917 a 1919.     
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098