terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Primeiro vôo em Porto Velho

Foi o CONDOR a primeira empresa de navegação aérea a operar para esta parte do Brasil. O primeiro vôo que pousou sobre as águas do Rio Madeira, nas barrancas da cidade de Porto Velho, foi o W – 34 “TAQUARI”, pilotado pelo Eng. Frederick Hoepken, de nacionalidade alemã, e pelo Major Basílio da Aeronáutica Militar do Brasil.
Representava esta empresa nesta cidade o comerciante Sizenando Souza, que, pouco depois, transferiu-se para a firma Bichara & Cia., constituída por Bichara Abidão, Nagib Bichara, José Bichara, Humberto Correia e Júlio Cezar Borges Cantuaria, ficando instalada num pequeno compartimento da rua Floriano Peixoto, onde no passado situa-se o armazén do Miguel Arcanjo Filho e o majestoso edifício da agência da antiga Varig-Cruzeiro do Sul, na rua Floriano Peixoto com José de Alencar. A rota inicial foi Rio-Porto Velho que, depois de várias considerações e estudos procedidos pelo Eng. Frederick Hoepken, foi até Rio Branco no então naquela época Território Federal do Acre.
Com aviões de pequena autonomia de vôo tiveram que estabelecer muitas escalas para completar sem riscos o intinerário e, por essa razão, foram obrigados a nomear agentes nas principais cidades da escala. Em Guajará Mirim foi nomeado e exerceu o cargo por longo tempo o Cel. Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha que, quando negociou a sua empresa de navegação, transferiu também a agência da Cruzeiro do Sul para os Serviços de Navegação do Guaporé.
Como na viagem tinham que atravessar regiões desabitadas, procurou a direção geral da empresa para instalar imediatamente estações de controle de vôo, sendo a primeira montada em Porto Velho um Winchaider Baiton de 250 com gônio e duas torres de 36 metros de altura que foram montadas e inicialmente operadas pelos mecânicos José Tavares e Machado, situadas numa casa de madeira pré-fabricada no Paraná no bairro Caiari.
Todos os tipos de avião da empresa foram largamente utilizados nesta região desde o tempo dos Junkers da Condor Sindikat que, com rompimento das relações do Brasil com a Alemanha, foi proibida de operar no País, e transferiu a responsabilidade da realização de suas linhas para serviços Aéreos Cruzeiro do Sul até os modernos e eficientes Boeings 737, que diariamente cruzam os céus de Rondônia. Também muitos pilotos transferidos da Condor passaram por Porto Velho, dentre eles Siranka, Rank, Law, Rottermundo, Castrup, Goulart, Mário Guide, Mascaranhas e Lins.
Duarante muito tempo, começando em 1945, a Cruzeiro do Sul operou nesta área com os Douglas DC-2 que numa viagem de Porto Velho ao Rio de Janeiro gastavam dois dias com pernoite em Corumbá.
Em 1949, mudou-se a eficiente aparelhagem de controle de vôo do bairro Caiari para o bairro do Km 1, no local onde era situado até 1999 o Selton Hotel – Porto Velho. Em 1969, lançaram os protótipos japoneses YS-11-A, cujo primeiro que aportou na cidade em 1970. Já em 1971, começaram a operar nesta área os potentes aparelhos Caravelle que encurtaram as distâncias e que, pouco tempo depois, foram substituídos pelos Boeings 737 de fabricação americana que operaram regularmente até o início do século 21 em Porto Velho.

Aleks Palitot
Historiador

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Seringueiros e Seringalistas

O termo seringueiro era, inicialmente, o único usado para designar todos aqueles que se dedicavam à exploração da Hervea, mas depois, sutilmente, aquele mais abastado que empregava os demais ou tinha qualquer domínio sobre eles, passou a ser denominado seringalista. Por ocasião da criação do Território era essa a atividade econômica predominante, senão a única, eis que todas as demais atividades extrativas eram feitas por esses profissionais, durante o período de entressafra da borracha, quais sejam: coleta da castanha-do-pará, óleos(pau-rosa e copaíba), couros e peles etc.
Muito se discute até hoje sobre a relação de trabalho entre seringueiros e seringalistas, pois o primeiro não era, verdadeiramente, um empregado do segundo. Podia ser considerado uma espécie de associado ou tarefeiro. Com efeito, o seringalista, embora pensasse ter a propriedade dos seringais, na verdade apenas os possuía, pois eram raros os títulos concedidos pelo Estado. A terra pertencia a quem chegasse primeiro ou fosse mais ousado. O limite era de respeito, isto é, ia até onde o vizinho concordasse. Ou, se não concordasse, até onde resistisse pela força à entrada do outro vizinho. Guardem o nome: limite de respeito.

Uma vez dominada a gleba, pela força, o seringalista tinha de conseguir abastecimento para os seus homens, durante vários meses de safra, o que não era fácil, pois importava no congelamento de capitais durante meses, sem maiores garantias que a honradez do aviado, ou seringalista. O credor era o comerciante abastado da praça de Manaus ou Belém, que a si denominava aviadores.

Entre o seringalista e o seringueiro formava-se um subcontrato do mesmo gênero, comprometendo-se o trabalhador a cortar seringa em uma das estradas do seringalista, e ao fim da safra, entregar-lhe a produção, por um determinado preço.
Dito assim, a coisa parece simples, mas na prática ocorriam espertezas de parte a parte. Nem sempre o seringueiro era a vítima perseguido pelo poderoso seringalista, pois muitas vezes tentava usar da esperteza para ludibria-lo, seja fugindo com os aviamentos para outro seringal, seja vendendo parte da borracha para os comerciantes avulsos que percorriam os seringais, e tinham regatões.

Também havia o expediente de colocar pedras e outros objetos pesados dentro das bolas ou pelas de borracha, para aumentar o peso,e , por conseqüência, o lucro desonesto, fato que, pela constância, chegou a depreciar a borracha brasileira nos mercados internacionais.
Os seringalistas, por sua vez, tinham meios de recrutar às espertezas dos seringueiros, seja diminuído o peso da mercadoria no ato do recebimento, seja através da cobrança de preços exagerados pelas mercadorias que só ele podia levar para o seringal, seja pelo aumento das cartas, cobrando artigos nos fornecidos.
Na verdade era uma negociação tortuosa, mas no fim, geralmente, se estendiam, sendo poucas as reclamações que iam até à política ou à justiça, para solução, mesmo por que as longas distancias tornavam quase impossível qualquer interferência do Estado nessas transações comerciais, onde fraude permanentemente era quase sempre bilateral

Aleks Palitot
Historiador 

domingo, 22 de julho de 2012

A Resistência Indígena na Amazônia


Na Amazônia, ainda no século XVII, houve uma época em que para cada índio capturado para a escravidão, correspondiam centenas de outros índios assassinados. Era a resistência indígena frente aos conquistadores coloniais portugueses.
O índio não ficou de braços cruzados, indiferente ou calado diante da opressão imposta ao seu povo. Ele não admitiu pacificamente ser submetido à escravidão, ao trabalho forçado, à humilhação e à violência. Acostumados, como sabemos, a não gastar mais que 3 horas do dia no trabalho para assegurar sua subsistência, o qual era realizado por todos os homens da tribo, em comunidade, os índios colocaram-se contrários às longas horas forçadas de trabalho escravo imposto pelo invasor português, o qual taxou os índios de preguiçosos, lerdos, selvagens e outros preconceitos que, ainda hoje, muita gente desinformada, por aí vive repetindo.
Porém, ao contrário de todas as idéias falsas, passadas pelo colonizador e herdadas por muitos de nós sobre os índios, esses queriam apenas que seu modo de vida, sua terra e sua liberdade fossem respeitados.
Por isso, a maioria dos povos indígenas foi-se revoltando contra os colonizadores portugueses. Tupinambás, nheengaíbas, tapajós, omáguas e tantos outros pegaram suas armas, um a um - pois cada um era um povo, uma nação -, e rebelaram-se contra aqueles que pretendiam escraviza-los, lutando, inúmeras vezes até a extinção total do povo. Por esse motivo também, podemos falar com orgulho dos índios tal como falou o historiador romano Salústio (88-35 a.C.) dos ex escravos comandados por Espártaco, líder da maior rebelião da antiguidade contra o escravismo: “ lutando pela liberdade até o limite de suas forças, os rebeldes morreram como guerreiros e não como escravos”.
A conseqüência direta disso é a constatação de que, em setenta anos de colonização portuguesa, os índios do delta do Amazonas foram extintos, forçando os colonizadores a penetrarem ainda mais em direção à Amazônia ocidental.

Aleks Palitot
Historiador


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Despedida da Rede TV Rondônia


Até aqui viajamos juntos. Passaram vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas... Não faltaram os grandes obstáculos. Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos... As subidas e descidas foram realidades sempre presentes.
Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades. Chegou o momento de cada um seguir à viagem sozinho.
Deixo o grupo SGC e Rede TV Rondônia com a consciência de dever cumprido. A parceria de 3 anos e 8 meses contribuiu certamente para a luta pela preservação da História de Rondônia, motivo pelo qual o Trilhando a História foi criado.
Quero agradecer imensamente ao Diretor Geral Sergio Demomi, homem íntegro, guerreiro e audaz. A Fábia Cardoso pelo respeito e profissionalismo que sempre me tratou. Ao Adão Gomes um cavalheiro do Jornalismo de Rondônia, sempre pronto a me ajudar. Ao André Diretor de TV que nunca me deixou na mão e sempre foi amigo e companheiro. Ao Lawrence Pataka, editor e humorista de todas as horas; rimos muito nas edições. A Alisânlega Lima, grande jornalista e de um caráter digno de muitos elogios. Ao amigo Santiago do Roa, mais que amigo, sempre um irmão. Ao Thiago que sempre esteve de prontidão para ajudar a equipe do Trilhando. Ao amigo Marcelo Bennesby pela amizade sincera e até pelas piadas ao vivo desconcertantes. Ao pessoal do Shop TV que sempre me tratou com muito carinho. A Toda equipe de Jornalismo do grupo, sempre atentos e amigos do Trilhando. A equipe técnica do grupo, câmeras, produtores, motoristas e colaboradores, sempre corteses.
É necessário mudanças em minha vida e no Programa Trilhando a História. Passei por momentos difíceis este ano, perda de entes queridos de minha família e entre estes meu irmão Fábio Palitot. Além do mais, necessito finalizar meu Mestrado que requer nesse momento mais dedicação.
O programa vai ganhar mais espaço para a luta de preservação de nossa história. Em outubro, Rondônia vai conhecer muito mais do que sua história, vai descobrir sua identidade nos lugares mais distantes e esquecidos da Amazônia. Vamos ter orgulho de ser de Rondônia, de sermos rondonienses e rondonianos.
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro aos que, por vários motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, nos quiseram bem e nos apoiaram nos bons e nos maus momentos. Dividam conosco os méritos desta conquista, porque ela também pertence a vocês. Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.

Aleks Palitot
Professor e Historiador
E acima de tudo Rondoniense