quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Porto Velho, faces de uma história

Cidade de Porto Velho capital de Rondônia, década de 1950.
 “Nascestes ao calor das oficinas do Parque da Madeira Mamoré, pela forja dos bravos pioneiros, imbuídos de coragem e fé”.
Esse trecho é parte do hino de Porto Velho, letra de C. Feitosa, hino que talvez poucos nascidos em Porto Velho teriam conhecimento. Por isso, lembrar da instalação de administrativa de nossa cidade é tão importante. São nessas datas que levamos os cidadãos de Rondônia a conhecerem um pouco mais de nossa história, e assim refletir sobre a história de nossos pioneiros.
Pátio de obras da Estrada de Ferro em 1909.
Com a construção do Centro Administrativo da empresa construtora da ferrovia no antigo Porto Velho Militar, logo nas imediações os trabalhadores iniciaram a construção de suas casas para o lado que dava para Santo Antônio. Em 1913 criava-se a Vila de Porto Velho, e já no dia 2 de outubro de 1914 era publicada a lei número 757, criando o município de Porto Velho. Com o decreto assinado pelo Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas, no dia 24 de janeiro de 1915, instala-se solenemente, e era considerado município autônomo, sendo o seu superintendente (prefeito) o Major do Exército Fernando Guapindáia de Souza Brejense, e intendentes, e suplentes, José Jorge e Braga Vieira, Luziano Barreto, Manoel Félix de Campos, Antônio Sampaio, José Camargo Achiles Reis, Alderico Castilho, José Pontes e como secretário, Sr. Manoel Pires de Castro.

Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas

A cidade na opinião de Oswaldo Cruz era “um cenário desordenado” de 800 habitantes. Todos os barracos eram de madeira, inclusive os grandes barracões da companhia construtora que ficavam sobre pilares de alvenaria e cobertura de telhas francesas; outros eram cobertos com zinco e sobre esteios de quariquara ou itaúba, preferencialmente, sendo a grande maioria improvisadas cabanas de palha. Enquanto isso no Clube Internacional (hoje Ferroviário) mulheres e homens dançavam o fox ao son de jazz; rubicundos ingleses vestidos de branco, a beber uísque; alemães ingênuos e sorridentes, servindo chopp com avidez; francesas de Marselha, com admirável eroísmo profissional, sorrindo acintosas e convidativas aos peões.

Avenida Presidente Dutra com Sete de Setembro.


O PRIMEIRO PREFEITO

O governo de Guapindaia foi marcado por uma série de desentendimentos com os administradores da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, pois a ferrovia gozava de isenção de impostos estaduais e municipais, além de ser detentora de grandes porções de terras destinadas ao uso da ferrovia.
Major Fernando Guapindaia
Como anteriormente a palavra do superintendente da Estrada de Ferro era lei, sendo que até a distribuição de lotes para a construção era, no entender dos administradores da ferrovia, da sua alçada, o major Guapindaia sentiu-se ferido em seus brios naturalmente reagindo e tendo como resposta inicial o cancelamento “ do passe grátis” que lhe fornecia a Madeira Mamoré, além de ser convidado a se retirar do prédio em que se instalara a prefeitura (em frente ao Mercado Central), bem como da casa onde morava e que pertencia à estrada de ferro.
Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em Porto Velho
Guapindaia continuou sua investida contra os ferroviários, proibindo a retirada de dormentes e lenha dos locais que ele julgava estar de fora dos limites concedidos à ferrovia.
Avenida Sete de Setembro em Porto Velho
Tal medida gerou revolta, não somente nos chefes ferroviários, mas também dos que viviam de empreiteiras na extração de madeira, tendo os advogados da companhia entrado com recursos e, ao mesmo tempo, pressionando o superintendente para uma prestação de constas.

O ALAMBRADO

Praça Jonathas Pedrosa entre Sete de Setembro e Barão do Rio Branco

A intendência aprovou lei autorizando o superintendente  a dar nomes as ruas, sendo chamada de Avenida Divisória a que separava as terras da companhia das terras do município, que é a atual Av. Presidente Dutra, e nela  os ferroviários construíram um alambrado separando as terras da Madeora-Mamoré. As outras ruas foram denominadas Sete de Setembro, Rio Branco, Floriano Peixoto e Pedro II, embora algumas fossem apenas caminhos tortuosos. Em 1919, Guapindaia tentou eleger-se prefeito de Porto Velho, porém, não era pessoa grata da Madeira-Mamoré e, embora fosse apoiado pelo Dr. Joaquim Tanajura, foi derrotado pelo Padre Dr. Raimundo Oliveira. O Governo de Guapindaia o primeiro de Porto Velho, foi de 24 de janeiro de 1915 a 31 de dezembro de 1916, quando foi empossado o Dr. Joaquim Tanajura, eleito para o triênio de 1917 a 1919.     
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098



Um comentário:

  1. Olá professor, gostaria de lhe enviar um pequeno projeto sobre a revitalização da EFMM...apenas para inspiração.

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