terça-feira, 21 de maio de 2013

Mário de Andrade, o Turista aprendiz em Porto Velho

Poucas pessoas sabem da vinda do celebre escritor modernista brasileiro a Rondônia. Mário de Andrade (São Paulo, 1893-1945), fotógrafo moderno, mas de reconhecimento tardio, que veio a Porto velho na década de 20 na busca de conhecer o Brasil do norte, e usar como inspiração para suas futuras obras, os elementos culturais amazônidas. Como esse tema é muito amplo, vou restringir-me à fotografia na primeira das duas viagens em que ele se denomina Turista Aprendiz. As expedições ocorrem a partir de 1927 quando Mário, aos 34 anos, por sua obra de poeta, ficcionista, teórico do Modernismo, cronista e crítico, já goza de certa projeção nacional. A escolha do ano de 1927 abre exceção a duas fotos de 1928-1929, dada a importância delas para esta reflexão. Alguns pesquisadores chegam a dizer, que Mário teria reescrito seu famoso personagem Macunaíma, após conhecer a vida do caboclo da Amazônia nas regiões de Rondônia e Mato Grosso.
Mário de Andrade no Rio Jaci Paraná
No arquivo do escritor, no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, na série Fotografias, entre as subséries ali organizadas, sobressai aquela que o caracteriza como um fotógrafo moderno, manejando uma Kodak de caixão, pelo que se observa no auto-retrato enquanto sombra, datado do ano-novo de 1928.
Mario de Andrade ao lado do Marco Divisório AM-MT em Sto. Antônio
A bastante tempo interessa a Mário de Andrade conhecer seu país. Com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, o poeta francês Blaise Cendrars, Olívia Guedes Penteado, grande dama da aristocracia do café e mecenas dos modernistas, e outros amigos, participa da "viagem da descoberta do Brasil" , assim nomeada pelo crítico Alexandre Eulálio. Fundamental nos rumos do nosso nacionalismo modernista, a viagem tem, entre outros importantes resultados, o Noturno de Belo Horizonte, longo poema de Mário no qual as visões do eu lírico transfiguram caminhos do viajante que deixa, também no desenho e na crônica, flagrantes de seu percurso.
Obelisco do Centenário e Edifício Monte Líbano e ao lado Mercado Municipal
Mário de Andrade vai primeiramente ao Norte. As duas viagens que realiza como Turista Aprendiz, em 1927 e 1928-1929, são as mais demoradas e extensas de uma vida de poucas viagens. Devotadas a uma espécie de impregnação do Brasil, ambas lhe rendem diários textuais e imagéticos, estes últimos unindo legendas às fotografias. Na primeira, entre maio e princípio de agosto de 1927, ao lado de D. Olívia Penteado, na verdade, a responsável pela idéia, e de duas mocinhas, a sobrinha dela, Margarida Guedes Nogueira – Mag – e a filha da pintora Tarsila do Amaral, Dulce do Amaral Pinto – Dolur –, retroceder visita os estados do Amazonas e do Pará, chega a Porto Velho Rondônia, a Iquitos, no Peru, e à fronteira com a Bolívia. Vai e volta de vapor, com escalas nos portos principais; a bordo de embarcações típicas da região, navega os grandes rios, igapós e igarapés; toma um trem da Madeira-Mamoré, visita Jaci Paraná, Abunã, Vila Murtinho e Guajará Mirim.
Barranco do Rio Madeira
Ao regressar, o escritor e fotógrafo, ainda em 1927, lança-se em mais dois diários: o imagético-textual e o textual propriamente dito. O primeiro compõe-se de mais de 500 imagens reveladas em preto-e-branco e viragens, seguidas das respectivas legendas no verso, a lápis. Estas, em uma primeira etapa da escritura, geralmente transpõem apenas as informações colhidas in loco, mas, em uma segunda – materializada no traço mais leve –, glosam as representações e o exercício fotográfico, ao construir um texto fragmentário, multifacetado e híbrido, como todos os diários. Nele viceja tanto o registro que se propõe fidedigno como a criação literária que exerce o humor, o lirismo e a metalinguagem.
A baronesa Olívia Penteado ao lado de Major Amarantes e Dulce do Amaral Pinto, filha de Tarsília do Amaral 
Diário moderno, junto com o primeiro, aquele das sínteses esboçadas em papéis esparsos, embasa o trabalho do escritor que, em sua escrivaninha paulistana, no mesmo ano da viagem, expande um novo texto, no qual recorre a diversos tipos de relato e dialoga com o diário da viagem do naturalista Martius pela Amazônia. Tem intenção de publicá-lo como O Turista Aprendiz: (Viagem pelo Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia e por Marajó até dizer chega), paródia ao título do livro do avô, Leite Moraes, de 1883, Apontamentos de viagem de São Paulo á capital de Goiás, desta ao Pará, pelos rios Araguaia e Tocantins, e do Pará á Corte. Considerações administrativas e políticas. Dessa versão de 1927, restaram parcelas aproveitadas na versão final em datiloscrito, precedida do prefácio de 30 de dezembro de 1943. 
Ruínas da antiga Catedral em 1927 onde hoje esta o Palácio do Governo do Estado de RO 
Na região de Rondônia, Mário viveu o cotidiano do homem da floresta, perceptível em algumas de suas fotos. Sua criatividade é representada com engenho e arte, pois ele propõe a função documental da fotografia ao se voltar para aspectos da geografia física da região, para o homem e a cultura material. Deste modo, a paisagem – a terra, os rios, a vegetação –, a população de brancos, mestiços e indígenas, homens, mulheres, curumins, os meios de transporte, trabalho, usos e costumes são captados pelas lentes de sua câmera.
Centro comercial de Abunã. Obelisco do Centenário - 1927
O legado histórico para Rondônia, foi deixado através de fotos não conhecidas, como pro exemplo das ruínas da antiga Catedral em 1928, situada anteriormente onde é atualmente o Palácio do Governo de Rondônia. Além de fotografias tiradas ao longo do percurso da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Fotos como em Jaci Paraná, Santo Antônio no Marco Divisório, em Abunã no Obelisco Centenário e em Vila Murtinho.
Pequena procissão em alusão a  padroeira de Porto Velho Maria Auxiliadora  
Outras fotos reveladoras, são do Edifício Monte Líbano e Obelisco Centenário no centro de Porto Velho, além de uma foto charmosa de uma pequena procissão de Nossa Senhora Auxiliadora em frente ao Colégio Barão dos Solimões.
Galpões da Estrada de Ferro em Abunã - 1927
Poucas pessoas eram conhecedoras da visita a Mario de Andrade a Porto Velho, e na tal, ele deixa claro em seu diário, que apreciou bastante a estada por aqui. Muitas pessoas da nossa pacata cidade correram para o pátio da ferrovia, quando ficaram sabendo que o famoso escritor modernista se encontrava em um dos vagões,... ”o que eu vim fazer aqui!...Qual a razão de todos esses mortos internacionais que renascem na bulha da locomotiva e vêm com seus olhinhos de fraca me espiar pelas janelinhas do vagão ?...” Mario de Andrade, O turista aprendiz.
Casa de um seringueiro no Rio Madeira - 1927
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Candelária! A luz no fim do túnel

Médicos e enfermeiras no Hospital da Candelária em Porto Velho
Que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi uma epopéia na Amazônia, todo mundo já sabe. Mas poucos se atentam aos detalhes que fizeram diferença para que a construção da famosa “Ferrovia do Diabo” pudesse finalmente ser concluída, com o propósito de assim escoar a produção de borracha e quinino nos vales dos rios Guaporé, Madeira, Beni e Mamoré.
No período em que Percival Farquhar, empresário norte-americano se envolveu em tal empreitada, foi construído uma das melhores estruturas hospitalares da época no Brasil, com o intuito de minimizar o impacto que as doenças do mundo amazônico provocavam constantemente na vida dos trabalhadores da ferrovia.
Farmácia do Hospital
Pode-se obter uma idéia da soma do serviço feito no Hospital da Candelária, do fato de terem sido admitidas 30.430 pessoas no hospital, durante os quatros anos: de 1° de janeiro de 1908, até 31 de dezembro de 1911. Tendo seis grandes enfermarias (250 camas) e uma sala cirúrgica, com as mais modernas instalações, fornecendo o início local para cirurgia, dentro de um raio de muitas centenas de quilômetros. Existiam também laboratórios para exame de sangue e espécies patológicas. Durante estes quatro anos, a nenhuma pessoa, homem, mulher ou criança, de qualquer origem atacadas de qualquer moléstia, foi recusada a entrada no hospital. Muitas centenas de não empregados receberam do mesmo hospital tratamento médico e cirúrgico e em nenhum caso foi cobrado qualquer pagamento pelos serviços. Era mantida também uma farmácia, que distribuía livremente todos os remédios necessários para os doentes.


As doenças Amazônicas e os Trabalhadores

Nesse momento da história, revela-se um dos aspectos mais tristes ,embora práticos, da construção da ferrovia, pois a empresa concluiu que, se mantivesse o mesmo sistema de trabalho empregado em outras obras, funcionários fixos, iria falir completamente como todas as outras empreitas, pois a grande maioria dos homens que chegavam cheios de saúde à região, eram, após 3 ou 4 meses de trabalho, pessoas praticamente incapacitadas para o trabalho, devido às doenças que assolavam a área.
Assim, foi promovido um verdadeiro "rodízio" humano naquela região, onde mensalmente levas e mais levas de trabalhadores sãos e em pleno vigor físico eram trazidos para substituir os mortos, doentes e incapacitados, que eram então demitidos. Resolvidos a tocar as obras ininterruptamente através desse expediente, a Companhia estabeleceu representantes em diversos países da Europa, África e América Central, que ofereciam grandes perspectivas de lucros para aqueles que se dispusesse a cumprir um contrato de trabalho "em uma região paradisíaca na floresta tropical Brasileira", findo o qual o trabalhador seria livre para tornar-se agricultor ou participar também da cornucópia de lucros e fortunas que prometia ser a região cortada pela Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
Parte da estrutura do Hospital da Candelária
Durante os 6 anos que durou a construção dessa ferrovia, cerca de 22.000 homens dos mais diversos países e regiões do mundo acreditaram nesse sonho e entregaram suas energias para contribuir para a construção dessa ferrovia. Quantos morreram? Quantos ficaram inutilizados e terminaram seus dias mendigando nas cidades do vale Amazônico? Quantos prosperaram? são perguntas sem respostas, como muitas que até cercam a construção dessa estrada de ferro.
Na média, cerca de 400 a 500 funcionários novos recrutados pela Companhia no mundo inteiro chegavam mensalmente aos canteiros de obras, e imediatamente começavam a substituir os doentes e incapacitados, pois à medida em que as turmas avançavam no levantamento da linha, derrubada das matas e construção da via permanente, iam afastando-se cada vez mais da Região de Santo Antônio, onde pelo menos já havia um mínimo de estrutura sanitária e embrenhando-se no coração da selva amazônica, enfrentando todo o tipo de doenças e enfermidades nessa região desconhecida, inexplorada e reconhecidamente uma das mais insalubres do planeta, devido aos milhares de pântanos e charcos que servem de viveiro para milhões de mosquitos e insetos transmissores das mais diversas moléstias.
E assim, o pessoal da ferrovia pagava seu pesado tributo à região, onde a malária grassava entre os trabalhadores, os quais muitas vezes, ao cair doentes em locais mais distantes do ponto inicial da ferrovia, acabavam morrendo à míngua sem quaisquer cuidados. Mesmo os médicos sofriam de doenças e nessas horas, eram os engenheiros e pessoal mais graduado escalados para fazer esse atendimento. Foi a construção dessa ferrovia recheada de episódios de heroísmo e dedicação de homens que, reunidos nos mais diversos locais do mundo deram, sob o comando de um punhado de americanos decididos e corajosos, mostras de um valor e solidariedade humanos impares, a ponto de muitos médicos e engenheiros acabaram encontrando a morte nesse trabalho de atender aos doentes.
E o que diziam os depoimentos na época? O de sempre: "Chove diariamente, os mosquitos perturbam dia e noite, não existe um único lugar seco nessa região, o chão é um barro só, o impaludismo e a malária grassam nos acampamentos e os homens morrem muito mais rapidamente do que antes....." Um relatório de um dos médicos, o Dr. Lovelace, diz que 95% da população de Porto Velho estava atacada de malária e que, de acordo com seus estudos, algumas observações impressionantes haviam sido feitas, como por exemplo o fato de que com certeza, após 30 dias de estada em Porto Velho, uma pessoa já teria contraído a malária. Nessa época, a média de permanência de um funcionário na região era por volta de 3 meses e se era verdade que mensalmente chegavam vapores carregados de novos trabalhadores ansiosos por arriscarem a sorte na região, também é verdade que esses mesmos vapores partiam lotados com as mesmas pessoas que haviam chegado 3, 4 meses antes, apavorados com a pestilência que imperava na região. Quantas dessas pessoas doentes foram morrer na viagem ou em seus países de origem? Jamais saberemos.
Entretanto, os miseráveis que conseguiam chegar a Manaus ou Belém, passando a esmolar nessas cidades, foram objeto de muitas reportagens criticando essa situação por parte da imprensa, com repercussão mundial, a ponto de países como a Alemanha, por exemplo, proibirem a viagem de seus cidadãos com destino a essa empreita.
E assim, entramos pelo ano de 1909, onde em alguns meses chegaram a haver mais de 2.800 trabalhadores na ferrovia, das nacionalidades mais diversas que se possa imaginar, como chineses, índios Norte-Americanos, Húngaros, Belgas, Irlandeses, Russos, Árabes e muitos outros, fazendo-nos perceber que o trabalho de recrutamento de sangue novo dava-se em nível mundial. Realmente, como disse o Ministro da Viação e Obras Públicas em trecho de sua apresentação ao Presidente da República, em 1910: "Raras vezes terá sido construída uma estrada nas condições desta...."
Aos poucos , o engenho e a determinação dos Norte-Americanos foi transformando Porto Velho em uma cidade de razoável porte, sendo providenciados sistemas de saneamento e tratamento de água, sistemas de telefonia e até iluminação pública com eletricidade. Instalações tais como padarias, fábricas de gelo, cinema, fábricas de biscoito, matadouro e tipografia.
O Hospital da Candelária sem sombra de dúvida veio para resolver um problema grave com relação à saúde dos trabalhadores que, antes morriam como moscas, de febre amarela, malária, beri-beri e pneumonia. A luz do fim do túnel, a Candelária, era composta por 15 edificações na sua estrutura, e era composta por médicos e pesquisadores americanos. Até Oswaldo Cruz, grande cientista, médico e sanitarista; não poupou elogios em seus relatórios, sobre a infra-estrutura do Hospital da Candelária, que se tornou uma referencia no Brasil com relação a doenças tropicais, que passou a dar um ar de tranqüilidade para aqueles que viviam a aventura de desbravar a Amazônia.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

terça-feira, 16 de abril de 2013

Tiradentes, as faces de um mito

Interrogar o passado significa, acima de tudo, ampliar os horizontes para sua plena compreensão. Num acontecimento histórico marcante, atuam inúmeros agentes, sob diferentes primas, cada qual contribuindo, a seu modo, para que o fato ultrapasse a circunstancialidade e venha a integrar a vida dos povos e das nações. A pesquisa, o debate, o confronto de opiniões, são elementos imprescindíveis para que o resgate dos eventos históricos se realize em toda a sua plenitude. Com isso, evita-se o artifício da redução simplista dos acontecimentos, retirando o ato de contar do âmbito passional e transportando-o para o espaço da análise histórica, para assim, não ficarmos apenas com a memória nacional formatada pelo Estado, mas sim para também refletirmos sobre a memória subterrânea, analisando cautelosamente o discurso oposto, abrangendo as duas faces da história.
Tentando encontrar o melhor caminho da face da história, levantamos algumas indagações pertinentes, e até mesmo as inúmeras versões, sobre uma figura histórica importante para o Brasil, Tiradentes. Um fato histórico, que comemoramos todos os anos no dia 21 de abril, o primeiro feriado decretado pelos militares após a Proclamação da República, algo que foi possível a partir da Revolta denominada Inconfidência Mineira em 1789. O herói Tiradentes como o único a receber uma punição severa por ser, segundo a História oficial, o representante popular do grupo dos inconfidentes e ter lutado pela liberdade do país, ele teria assumido toda a responsabilidade pelo evento. O historiador inglês Kenneth Maxwekll, em seu livro “A devassa da devassa” aponta características de Joaquim José da Silva Xavier bastante significativas para que este perfil de herói seja visto com cautela.
Mesmo após a Independência do Brasil, em 1822, Tiradentes não seria reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira. Somente em 1867 é que se ergueu em Ouro Preto, um monumento em sua memória, por iniciativa do presidente da Província Joaquim Saldanha Marinho. Mais tarde, somente no período republicano, o dia 21 de abril se tornou feriado nacional, e, pela Lei 4.867, de nove de dezembro de 1965, Tiradentes foi proclamado patrono cívico da nação brasileira. Hoje não se concorda muito com a idéia de que ele fosse do setor popular e que teria sido executado por isso. Ele teve mesmo as preterições na cavalaria, não teve as promoções às quais aspirava, mas era proprietário de escravos, teve problema com as datas minerais onde não teve sucesso”, explica a professora do Departamento de História da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Andréa Lisly Gonçalves.

“É verdade que há registros de uma grande comoção popular no dia do enforcamento de Tiradentes, em 21 de abril de 1892, no Rio de Janeiro.” Segundo Renata Costa, em seu artigo “Mito de Pés de Barro”, conta-se que Tiradentes havia assumido uma postura espiritual dentro da cadeia e foi para a forca demonstrando paz de espírito. Ainda que tão famoso, pouco se sabe sobre os ideais de Tiradentes. Segundo o professor Villa, o fato do mártir não ter deixado nada escrito faz com que ele seja um líder sobre o qual não é possível dizer nada. “Neste aspecto, sabemos mais sobre Cristo através da Bíblia do que sobre Tiradentes”, diz. Por outro lado, salienta Furtado, por não ter deixado registros, se torna uma figura heróica ideal. Tiradentes não foi considerado um herói tão logo morreu e só passou a ser cultuado 98 anos após a sua morte. Como defendia idéias iluministas republicanas e antimonarquistas, durante o período imperial brasileiro, seu nome quase não era citado.

O que sabemos sobre o Herói?


Seu nome completo era Joaquim José da Silva Xavier. Nasceu no ano de 1746, na Fazenda do Pombal, distrito de São João Del Rey, em Minas Gerais. Porém, não há registro da data de seu nascimento, apenas do seu batismo, em novembro daquele mesmo ano. Ao contrário do que seu apelido insinua, Tiradentes não suportava arrancar dentes. Ele era muito mais a favor de preservar os dentes do que arrancá-los. Porém, quando arrancar era irremediável, ele colocava coroas artificiais, feitas de marfim e de osso de boi, que ele mesmo fabricava.
Aos 40 anos, se apaixonou por Ana, uma menina de 15 anos, mas ela já estava prometida a outro homem. Tiradentes nunca se casou, mas teve dois filhos – João, com Eugênia Joaquina da Silva, e Joaquina, com a viúva Antônia Maria do Espírito Santo. Tiradentes tentou várias profissões: dentista, tropeiro, minerador e engenheiro. Entrou, então, para a Sexta Companhia de Dragões de Minas Gerais, como alferes, uma espécie de segundo-tenente.

Tiradentes está diretamente ligado ao movimento que ficou conhecido como “Inconfidência Mineira”. Os historiadores preferem “Conjuração Mineira” já que o que aconteceu em Minas Gerais foi um ato organizado para conquistar a independência do país e não um ato de deslealdade, traição ou infidelidade, que servem para traduzir a palavra inconfidência.
Segundo relatos da época, Tiradentes era alto, magro e muito feio. Ele nunca usou barba e cabelos longos. Como militar, o máximo que se permitia era um discreto bigode. Ele foi enforcado no Rio de Janeiro, com a barba feita e o cabelo raspado, no dia 21 de abril de 1792. “Pois seja feita a vontade de Deus. Mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria pela libertação da minha pátria”, teria dito Tiradentes ao ouvir serenamente a sua sentença de morte.
Após o enforcamento, seu corpo foi esquartejado. As quatro partes foram postas em alforjes com salmoura, para serem exibidas no caminho entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. A casa de Tiradentes em Vila Rica foi demolida, e o chão, salgado, para que nada brotasse naquele solo. A cabeça de Tiradentes foi levada do Rio de Janeiro para Vila Rica, em Minas Gerais e ficou exposta num poste em praça pública. Na terceira noite, foi roubada e nunca mais foi encontrada.
Em 1870, o movimento republicano o elegeu como mártir cívico-religioso e antimonarquista. A data de sua morte tornou-se feriado nacional em 1890. A primeira pintura oficial também data deste ano, de autoria de Décio Villares, que apresenta Tiradentes como Cristo, com barbas e cabelos longos. Tiradentes teve também exaltada sua imagem de militar patriota, quando nomeado patrono da nação pelo governo militar, em 1965, enquanto os movimentos de esquerda não deixaram de recorrer a ele como símbolo de rebeldia.
A história, como as outras formas de conhecimento da realidade, está sempre se construindo: o conhecimento que ela produz nunca é perfeito ou acabado. Em suma, ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; que olha para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o indivíduo e também válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através das diversas faces da história que percebemos as mudanças, as diferenças e as transformações.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Trilhando Aventuras

O que faz o homem desbravar novos horizontes? Quem sensação é essa de inquietude, que faz o humano desde a pré-história a ser um eterno nômade? Segundo os gregos, o homem é um ser em constante movimento, mesmo inerte. Isso realmente procede. Mesmo sozinho, parado ou estático, o homem viaja, ou ao menos ensaia no pensamento uma odisséia no espaço e no tempo.
A equipe do Trilhando a História, viveu mais uma aventura, mais uma viagem no espaço e tempo. Dessa vez, percorreu-se a de carro a Cordilheira do Andes através da Estrada do Pacífico.
O objetivo era revelar a todos de Rondônia, uma cultura até então desconhecida para nós, a história e legado dos Incas. Mostrar os traços culturais que o país vizinho Peru possui. Riquezas na gastronomia, sítio históricos e principalmente a sua identidade. Um povo como ninguém, que nos presta um grande serviço, nos ensinando a defender a história, a preservar uma cultura milenar e o sobreviver de maneira sustentável no presente através do passado.
Foram onze dias de Expedição, a equipe visitou lugares exuberantes tais como a cidade sagrada de Machu Picchu, Cusco a capital do Império Inca, os sítios históricos de Puca Púcara e Tambamachay.
Os aventureiros também desbravaram a história da cidade de Lima, capital do Peru, que no passado foi denominada de Rimac ou Cidade dos Reis. De lá seguiram até a localidade de Paracas no deserto de Ica. Posteriormente sem descanso, pegaram o carro e partiram para a região de Tambo Colorado, representação histórica da presença de outras etnias além dos Incas na região. No final de tudo, evidenciaram a gastronomia da região, os costumes e as danças.
A aventura não ficou apenas em terra firme, os caçadores de aventura do Trilhando a História, navegaram pelo Oceano Pacífico de Paracas até as Ilhas Balestas, onde existe uma reserva ambiental, onde constataram o brilhante trabalho de preservação ambiental na ilha que se tornou a moradia segura de lobos marinhos, pingüins e diversas aves.
Nessa semana, os novos programas do Trilhando a História vão ao ar em diversos horários. Na terça-feira e quarta-feira a série Expedição Machu Picchu será exibida às 13 horas no Programa Câmera 11. Na quinta-feira e sexta-feira às 20 horas 30 minutos no Programa Tempo Real no canal 11 TV Record. E aos sábados e domingos às 13 horas no canal 58 Record News.